quarta-feira, 13 de julho de 2011

Horta

Na manhã seguinte eu acordei sem saber direito onde estava, mas fui lembrado pelos raios de sol que entravam em diagonal pela janela. Saí por ali mesmo, porque fazia um calor de verão absurdo e confortante, enrolado no lençol branco. Uns porcos, e talvez umas galinhas também, todos me deram bom dia e não estavam de brincadeira. A grama pode ser bem macia às vezes, e mesmo as pedrinhas que se fazem sentir embaixo da sola ainda não acordada dos seus pés têm o poder de te mostrar o gosto da vida quando você deixa. Além de um varal com umas poucas roupas penduradas, a promessa de uma horta com alfaces suculentos e prontos era tudo o que se via nesses primeiros segundos de caminhada. Fui contornando a casa, que afinal tinha a sua estrutura reforçada com grandes vigas de madeira que eu não tinha reparado antes, sempre andando por uma calçadinha simpática – o habitat das formigas caseiras do planeta Terra. A porta da frente estava aberta, e a cerca também. É bem a hora em que se percebe, mas sem indignação, a tirania sacana dos relógios e a eventual diferença de segundos e minutos para frente ou para trás que não significa absolutamente nada quando se adentra no reino das possibilidades do presente ou da onipresente sensação de um dia de cada vez.

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