sexta-feira, 15 de julho de 2011

Long Play

Corríamos todos juntos em cima do grande LP veloz, éramos quarenta, cada um com a sua história particular metade sóbria metade luminosa, procurávamos apenas um ponto de descanso (mas só quando chegasse a hora). A agulha riscante não ameaçava ninguém, era só questão de desviar no momento oportuno. Sei que os speakers davam sentido à corrida, porque não saíamos do lugar, e o ritmo suficientemente cativante alimentava nossa identidade de tijolos fortes prontos para qualquer vento. E em algumas pequenas canções eu pensava inclusive que não precisava de mais nada além daquele exercício contínuo. A perfeição dos sulcos trabalhados de forma enigmática por alguma indústria impessoal tinha um quê de grandiosidade inédita, todo mundo percebia isso na época. Um disco opaco genial no espaço autoflutuante das diferentes proporções do entendimento humano de si mesmo.

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