quarta-feira, 6 de julho de 2011

Sesta

E então eu saí do restaurante depois de uma bisteca gigante e e me apoiei no carro meio distraído, mas na verdade eu estava pensando no futuro e como eu faria para atravessar o Deserto do Caos Tedioso e chegar até uma espécie de paraíso, onde a minha próxima parada devia estar esperando com um sabor incrivelmente doce e um perfume só oferecido aos que passam por experiências sem precedentes nem planejamentos ostensivos. Mal reparei quando a garçonete assoviou, porque ela precisou gritar “Ei!” em seguida. Ela correu até onde eu estava e passou seu telefone numa espécie de papel de garotas e disse que tinha recusado antes porque o irmão dela, que também trabalhava ali, tinha dado uma baita duma surra no último camarada que ousara tentar alguma gracinha, mas que ela tinha gostado da minha história sobre a ponte que nunca foi construída. Era um número de celular e tinha o prefixo de Marloque São João, a cidade pela qual eu tinha acabado de passar na 112, cheia de chaminés e pássaros sem personalidade em revoada. Ela esperou que eu guardasse o papel no bolso para voltar para dentro, não sem antes me mandar um sorriso tão tranquilo quanto roceiro, e eu sorri de volta, porque a vida funciona assim. Era meio-dia e eu deitei no banco de trás do carro.

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